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I'm Not The Only One - Sam Smith

Respirou fundo antes de pegar o celular e acabar com tudo aquilo. O respirar a acalmou um pouco. A boca parecia ter secado devido às lágrimas que escorreram excessivamente. Eles haviam feito um voto. Para o bem ou para o mal. Na saúde e na doença. Como ele pudera?

Ela negou até o último minuto, mas era impossível negar. Era impossível saber e fingir que não. Era impossível sorrir enquanto o olhava. Quantas vezes fora chamada de louca? Quantas vezes ele se esquivara jurando o contrário?

Será que ela não era o suficiente? Ou será que era, mas sim ele quem era incompleto de uma maneira que somente ela ao seu lado não bastava? Será que ele descontava sua própria insegurança num relacionamento que tinha tudo para ser o mais perfeito? De dar inveja aos amigos?

O problema era ela saber. E ela sabia que não era a única.

Olhou para o aparelho mais uma vez. E mais outra. A cabeça doía, os olhos marejaram novamente. Jogou o aparelho longe, que se espatifou na parede oposta. Abriu a parte dele do guarda-roupa e jogou tudo o que tinha dentro no chão. Não queria ser uma descontrolada, mas queria colocar fogo em tudo.

A pressão caiu e ela chorou mais uma vez, indo ao chão. Não acreditava no mal que ele estava lhe fazendo, mas sentia-o na maneira como ele lhe machucava. Fechou os olhos e se lembrou de palavras doces, palavras que ela ouvia com dor, pois sabia que não era a única a ouvi-las.

Respirou mais uma vez. Era fraca, mas não queria ser louca. Mesmo com a dor física e psicológica que sentia levantou-se e recolocou as coisas dele no armário. Tomou um banho e refez a maquiagem. Olhou-se no espelho e se achou feia, mas não era. Só não era única.

Ela sabia que não era a única.

Ela sabia.

E queria que aquilo tudo acabasse, mas também sabia que ainda precisava dele ali.

Respirou fundo mais uma vez e foi abrir a porta da sala ao ouvir o carro estacionando na garagem.

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