Divã

Apesar de ter relutado durante algum tempo, ela queria estar ali agora.

Sua aparência delatava sua condição mental. As noites sem dormir, as angústias, o medo e a aflição.

Olhava para o teto e mantinha as mãos ocupadas, entrelaçadas e com os polegares em movimento. A roupa era escura, para demonstrar o luto por si mesma.

Fechou os olhos por um instante e pensou na noite anterior. Fez uma retrospectiva dos fatos. Ela tentara pela última vez. Tentara de corpo e alma, até sentir um arrepio na espinha.

Ela, agora, estava sendo analisada. Ele via suas rugas repentinas, seu olhar profundo, com olheiras negras e sua aparência cadavérica. Emagrecera tanto que sofria com os boatos de um distúrbio alimentar. Ele sabia que não era nada disso. Sabia que o emocional dela havia dominado o corpo. Que o cérebro convencera o resto de haviam sido vencidos. Convencera-os a desistir de lutar.

  • Você não pode continuar assim. Daqui a pouco vai desistir de viver. - Disse com pesar.

Ela, deitada naquele divã, como fizera tantas outras vezes resolveu, pela primeira vez, ser sincera:

  • Eu desisti há muito tempo, doutor.
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