A Paisagem

Estava ela parada a observar.

Observava o lago, a montanha e as nuvens. Naquele momento, tudo estático. As pessoas ao seu redor falavam, tiravam fotos e poluíam o lugar com seus atos. Queria que o todos parassem, que se calassem, que observassem também ou até mesmo que sumissem.

Que graça tinha estar em frente àquilo tudo sem realmente ver? Sem sentir? Sem se abastecer da energia que o lugar emanava? Apenas para mostrar.

Ela sentia.

Até o ar parecia vir carregado de informação. Queria que o tempo parasse. Queria que os problemas cessassem e que a vida acalmasse. Desse uma trégua. Tivesse menos pressa em ser resolvida. Que fosse como uma viagem.

Mas não era.

Era dura. Cruel. Vingativa.

Não era doce. Nem misericordiosa.

Queria que, por um momento, os problemas fosse interrompidos. Que as contas fossem quitadas. Que a esquina sorrisse. Fazia tempo que o caminho não sorria para ela.

E o que mais doía era pensar que ela mesma traçava o caminho e escolhia a rota.

Mas o que ela queria mesmo era que, em algum momento, o caminho fosse como aquela paisagem. Doce.

Acolhedora.

Como um calmante.

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