Decisões

Ela caminhava se equilibrando no meio-fio. Adorava fazer aquilo desde a infância, principalmente ao lado da avó sempre que ia comprar um pão na padaria. Bons tempos aqueles, em que era criança e em que a avó ainda era viva. Sentia falta dela. Muita falta. Ela sempre a criara como se fosse filha, era a neta predileta e isso a avó não escondia de ninguém. Hoje, aos vinte e seis anos, isso estava somente na memória, pois a avó falecera quando ela tinha apenas doze anos. Parecia ontem. A notícia vinda dos hospital, o baque, o silêncio e o choro. Tudo numa ordem muito natural, numa crescente. Chegava a ser poético.

A rua escura não a deixava se distrair por muito tempo, pois a preocupação de um perigo iminente era constante. Contudo, caminhava para se distrair. Quanta contradição.

Aquele momento de sua vida, era um momento de decisões. Nada vinha sendo como ela gostaria que fosse. Sua vida eram erros consecutivos e chegara o momento de pensar em como corrigi-los. Ela queria apenas ser feliz, mas não era. Nunca estava de corpo e alma no lugar em que estava de corpo, dá para entender? Estava sempre distraída, sempre sonhando e sempre pensando em como as coisas poderiam ser, mas não eram.

Ela tinha anseios, tinha vontades e tinha paixão para realizar o que quer que fosse, mas há muito não os sentia. Parecia que nada mais era novidade, nada mais era excitante, sua vida tonara-se monótona e ela apenas sobrevivia. Aguardando o momento em que tudo mudaria, mas não mudava.

Iria fazer uma viagem em breve, uma viagem para que tomasse a decisão final e pudesse finalmente fazer suas escolhas e começar a senti-las na pele. Começar a ter prazer em viver, em realizar sonhos e a dar mais valor aos pequenos detalhes, que um dia poderiam se tornar grandes.

É. Ela sonhava alto, sonhava muito. E ela sabia que podia voar, só não tinha decidido ainda para onde.

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