Encontro.

Mas aquele que antecede o encontro.

  • Alô?
  • Oi, tudo bem? Cheguei.
  • Tudo! Tô descendo.

Deu uma última olhada no espelho, pegou a bolsa, tocou o elevador e desceu. Enquanto andava até a portaria tentava se lembrar qual era o modelo do carro, odiava se sentir perdida e não saber pra onde andar quando saía do prédio, sabia que era preto, uma informação não muito útil quando se vive em São Paulo. Estava tão concentrada tentando lembrar de mais algum detalhe que só percebeu que ele estava esperando do outro lado da rua quando fechou o portão atrás de si… e aí pouco importava o modelo do carro.

Ele estava ali.

Todo encolhido na noite fria, a jaqueta com o zíper todo fechado, as mãos no bolso, o cachecol escondendo o pescoço (e uma parte do queixo, ele estava, literalmente, encolhido) e as bochechas vermelhas. Ele sorriu. O cabelo meio enrolado e bagunçado com um cachinho no meio da testa que parecia do super-homem, sim ela já havia percebido isso. Ela pisou no asfalto, mas os carros não paravam de passar, ele olhava pra baixo em direção ao all star mal amarrado. Ela olhava pra ele e lembrava de tudo que já havia acontecido. Conseguia ouvir as músicas que tocaram ao fundo de cada beijo. E que beijos! Conseguia sentir as pontas dos dedos na “pseudo-barba falhada” que se recusava a crescer no rosto dele. Conseguia lembrar do arrepio que subia da lombar até a nuca. Conseguia sentir o cheiro, que ele insistia que não era perfume e ela achava que era o amaciante usado nas roupas, não importa, era dele e era bom. Conseguia ver aqueles olhos castanho - claro, que a acalmavam quando encontravam com os seus castanho - escuro… finalmente uma pausa. Pensou em tanta coisa em tão pouco tempo que a rua parecia ter 15km de largura, quando na realidade, foram exatos 11 segundos de um lado da calçada até o abraço.

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