Clarice Lispector

raspas de Clarice Lispector

no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer.

Ucrânia, 1920. Nasce a terceira e linda filha dos pais Pinkouss e Mania. Só não está tão bonita a situação lá fora. O auge da guerra civil russa faz tremer o chão de cada aldeia que os zelosos pais se abrigam, enquanto fogem da perseguição aos judeus. A fuga premeditada levou-os a aportar numa terra verde e amarela, dum povo receptivo que os aceitaram como seus próprios filhos. Logo Haia, a caçulinha de poucos meses de idade, tornou-se Clarice, e uma das mulheres mais brasileiras que já pisaram por aqui.

A palavra é o meu domínio sobre o mundo.

Clarice Lispector e a palavra sempre foram amigas íntimas. Aprendeu a escrever tão logo começou a ler e já falava vários idiomas na época da escola, que cursou parte na cidade do Recife, parte na cidade do Rio de Janeiro.

Aos 9 anos de idade encarou a morte da mãe, vítima das mazelas da sífilis, com grande pesar. Este evento, somado a frustração diante das teorias da faculdade de advocacia, que cursou anos depois no Rio, foram elementos decisivos na carreira promissora de Clarice. Além de amigas, a palavra tornou-se então a sua mais requisitada válvula de escape.

Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.

“Triunfo” foi o seu primeiro conto publicado, em 1940, quando Lispector tinha apenas 19 anos. Neste mesmo ano escreveu “Perto do Coração Selvagem” que, lançado 3 anos depois, surpreendeu a crítica e iniciou uma revolução na literatura brasileira. No mesmo ano do lançamento deste clássico, Clarice formou-se advogada e casou-se com um colega de sua turma.

Mude…mas comece devagar…porque a direção é mais importante que a velocidade.

Nos anos seguintes a escritora morou em diversos países diferentes, entre eles, Itália, onde serviu durante a segunda guerra mundial junto ao corpo de enfermagem da Força Expedicionária Brasileira; Suíça, onde teve seu primeiro filho Pedro, que seria diagnosticado com esquizofrenia durante a adolescência; e Estados Unidos onde teve seu segundo filho, Paulo.

Clarice voltou para o Rio de Janeiro em 1959 separada do marido que ficou na Europa. Ali, a escritora viveu e escreveu até a sua morte, causada por câncer no ovário, um dia antes de completar 57 anos. `

Passei a vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar.

Houve a literatura brasileira a.C. (antes da Clarice) e d.C. (depois da Clarice), segundo Hélène Cixous, escritora e filósofa francesa. A temática característica de Clarice, era a problemática envolta na existência de um indivíduo. Sua forma despojada, direta e fragmentária de escrita alcança ainda hoje em seus leitores, patamares sentimentais inviolados previamente. Não é a toa que carrega o título de “a grande bruxa da literatura brasileira”.

Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.

E ainda não tem nome o estilo Clarice de ser. Ou talvez tenha. Clarice. Querem saber mais? Assistam este video revelador de uma entrevista com a escritora: http://www.youtube.com/watch?v=9ad7b6kqyok

Não crie expectativas. Crie porcos. Se tudo der errado ao menos você tem bacon.

mais de Clarice no raspas! – https://raspas.com.br/pensadores/9

*texto publicado originalmente no Le Duê blog

Ex Posta

14 Mai 14
Não sabia de muita coisa ai, gostei :D

Marcos Korody

22 Mai 14
Ah, que bom que gostou, Ex! Clarice tinha muita personalidade, né? beijos!
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