Os caminhos da felicidade

A angústia de estar muito feliz

Passei o dia encarando o traço do Word piscando, sem conseguir escrever nada. Todos falam que é normal escritores terem bloqueio. Queria escrever um assunto sério, alguma sacada inteligente sobre a vida. Dizem que a arte vem da tristeza, e eu sempre concordei. Ultimamente ando tão feliz que achei que era essa a razão de não escrever. Percebi que até a felicidade pode ser complicada. Não estou acostumada a ter minha vida tão clara. Nunca soube muito bem o que eu gostaria de ser na vida, além de ser mãe e artista. Já larguei tantas faculdades: moda, cinema, fotografia, moda de novo e agora finalmente começarei a fazer moda na faculdade que eu realmente queria. Sei exatamente que tipo de negócio quero abrir. Também sei que nunca estive tão focada em me construir como adulta e que esse seria o primeiro ano de muitos para meu sucesso profissional.

Eu sempre fui uma pessoa que não estava sempre contente com tudo, ou com poucas coisas. Sempre quis mais para mim, um pouco ambiciosa e perdida. Neste ano descobri todo o caminho da minha vida, que eu queria estudar como uma louca, ser a melhor no meu negócio, e quase não sair de casa. Eu sou uma pessoa que aprendi a gostar muito da solidão, então ir no cinema sozinha, jantar sozinha, viajar sozinha são coisas que me dão extremo prazer. E ai o que a vida me dá? O amor. Amar como diz no filme “Her” de Spike Jonze é uma coisa louca de se fazer. É como uma espécie de insanidade socialmente aceitável.

Como a maioria dos meus amigos sabem, eu sou uma pessoa um pouco fria, e demonstrações de afeto não são meu forte. Amei dois homens na minha vida, que hoje só tenho respeito e carinho. Tive uma grande parcela de homens em minha cama, mas sempre soube que se não fosse algo de um dia seriam no máximo de alguns meses. Eu nunca realmente consegui me conectar completamente com alguém. Ter os mesmos interesses na vida foi o que me distanciou dos dois homens que amei. E de repente quando tudo parece estar calmo, ele aparece.

Ele que dorme perto do meu pescoço e não me dá asco. Ele que elogia meus olhos azuis e não me parece clichê. Ele que me faz café da manhã mesmo sabendo que eu não como. Ele que é egoista musicalmente como eu, e mesmo assim não brigamos. Ele que tem 18 anos a mais que eu e me faz acreditar que ainda tenho algo a acrescentar intelectualmente a alguma conversa. Ele que poderia ser o pai de meu ou meus filhos só que anseia não ter tanto tempo para esperar minha carreira explodir para tê-los.

E é ai que a felicidade e a vida brinca conosco. Nunca estive tão feliz e tão confusa. Todos meus desejos e sonhos chegaram juntos e colados. Quero ser mãe mais que nada nesse mundo. No jogo da vida (o jogo mesmo) no caminho da faculdade não tem um parabéns você teve um filho com o amor da sua vida. Não que ele seja o amor de minha vida, mas poderia ser, mas está fora do planejado, há várias casinhas antes disso acontecer neste tabuleiro. Tentei arrumar uma briga para ver se acabava, e ai só teria uma opção. Mas quando acordei e olhei para seu rosto só senti amor. E ainda não falo o quanto ele me faz bem, o quanto ele me completa e o quanto quero ser mãe de seus filhos. Quero me proteger dos meus próprios desejos e decepções.

A vida é assim, as coisas não acontecem na hora que você quer. E mesmo na extrema felicidade, escolhas definitivas podem ter que ser feitas. Ou eu simplesmente estou ansiosa demais para o que a vida tem a me oferecer. Sim, eu sofro antecipadamente.

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